ROTAS DE TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES DO ESTADO DE SANTA CATARINA: UMA METANÁLISE DA CAPTURA AO ESCOAMENTO

Autores

  • Rafael Rufino de Amorin Autor
  • Augusto César de Paula Polese Autor
  • Vinícius Abilhoa Autor

Palavras-chave:

crimes ambientais, espécies ameaçadas de extinção, inteligência policial

Resumo

Resumo: Em relação ao tráfico de animais silvestres no Sul do Brasil, o padrão observado é a captura de aves que são escoadas pelas rodovias sentido São Paulo (mercado nacional), e a cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu, além de portos e aeroportos com destino ao mercado internacional. Este estudo teve como objetivo atualizar as informações acerca de rotas de tráfico de animais silvestres de Santa Catarina. Para a elaboração do mapa de fragilidade das rotas de tráfico foram consideradas cinco variáveis analisadas de forma conjunta. As variáveis selecionadas para a utilização das técnicas de geoprocessamento foram: (i) conhecimento atual das rotas de tráfico; (ii) locais de repressão ao combate à crimes ambientais; (iii) locais propícios ao escoamento da fauna; (iv) unidades de conservação; e (v) espécies ameaçadas de extinção de Santa Catarina com alta probabilidade de serem traficadas. Além disso, as informações da distribuição das espécies ameaçadas de extinção do estado foram organizadas nas áreas de jurisdição das quatro diretorias da Polícia Civil de Santa Catarina e nas áreas de jurisdição das delegacias regionais. Análises multivariadas foram utilizadas para a observação de padrões na composição das espécies de aves com alto potencial de traficância em relação à distribuição nas diferentes áreas de jurisdição das diretorias da Polícia Civil. O mapa de fragilidade apontou as áreas críticas mais vulneráveis ao tráfico de animais silvestres em Santa Catarina, sendo que a região litorânea e, em especial, a porção norte são os locais de maior criticidade. De maneira pontual, os municípios de Blumenau, Indaial e Itaiópolis necessitam de maior atenção por parte da Polícia. 

Abstract: Regarding the trafficking of wild animals in southern Brazil, the pattern observed is the capture of birds that are shipped along the highways towards the State of São Paulo (national market), Foz do Iguaçu, ports and airports destined for the international market. This study aims to update information on wild animal trafficking routes in Santa Catarina. For the elaboration of the fragility map of the wild animal trafficking routes in Santa Catarina, five variables are analyzed. The variables selected for the use of geoprocessing techniques are: (i) current knowledge of trafficking routes; (ii) places of repression to combat environmental crimes; (iii) locations conducive to the illicit flow of the fauna; (iv) conservation units; and (v) endangered species in Santa Catarina with high probability of being trafficked. In addition, information on the distribution of endangered species in the state of Santa Catarina was organized in the areas of jurisdiction of the four departments of the police and in the areas of jurisdiction of the regional police stations for strategic evaluation at smaller scales. Multivariate analysis is used to observe patterns in the composition of bird species with high potential for trafficking in relation to the distribution in the different areas of jurisdiction of the departments of the police of Santa Catarina. The fragility map points out the critical areas of vulnerability for the trafficking of wild animals in Santa Catarina, with the coastal region and especially the northern portion being the most critical places. Occasionally, the municipalities of Blumenau, Indaial and Itaiópolis need special attention.

Referências

ALMEIDA, P. S.; CALANDRINI, V. O tráfico de animais silvestres na metrópole São Paulo–Brasil: uma análise dos aspectos legais, culturais e característicos dessa atividade (in)sustentável. Veredas do Direito: Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, v. 18, n. 42, 2021.

ALVARENGA, L. J. Tráfico de animais silvestres: historiografia e lógicas de continuidade. Disponível em: https://aplicacao.mpmg.mp.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/1281/TR%C3%81FICO%20DE%20ANIMAIS%20SILVESTRES.pdf. Acesso em: 30 ago. 2022.

ARAUJO, V. C. O tráfico de animais silvestres no estado de São Paulo: aspectos legais, sociais e econômicos do traficante. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, 2021.

CAMPELLO, M. F. F. Diagnóstico da fiscalização ambiental afeta à fauna silvestre nativa no Estado de Santa Catarina. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Perícias Ambientais. Universidade Federal de Santa Catarina, 2019.

CARRASCO, R. S. Um modelo para identificação de tráfico de animais silvestres na internet. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação. Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, 2012.

CITES – CONVENTION ON INTERNATIONAL TRADE IN ENDANGERED SPECIES OF WILD FAUNA AND FLORA. The illegal trade in jaguars (Panthera onca). Disponível em: https://cites.org/. Acesso em: 10 set. 2022 às 13:20.

COSTA, F. J. V. Espécies de aves traficadas no Brasil: uma meta-análise com ênfase nas espécies ameaçadas. Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science, v. 7, n. 2, p. 324-346, 2018.

DESTRO, Guilherme F. G. Tráfico de animais silvestres: da captura ao retorno à natureza. Universidade Federal de Goiás, 2020.

FREITAS, T. C.; GADOTTI, G. I.; BELTRAME, R.; GUARINO, E. D. S. G.; GOMES, G. C.; MOLINA, A. R. Comércio ilegal de aves nativas em plataforma social virtual: subsídios para a perícia ambiental. Revista Brasileira de Engenharia e Sustentabilidade, v. 9, n. 1, p. 8-15, 2021.

HAMMER, Ø.; HARPER, D. A.; RYAN, P. D. PAST: Paleontological statistics software package for education and data analysis. Palaeontologia Electronica, v. 4, n. 1, p. 9, 2001.

HERNANDEZ, E. F. T.; CARVALHO, M. S. O tráfico de animais silvestres no Estado do Paraná. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, v. 28, n. 2, p. 257-266, 2006.

IMA – INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE DE SANTA CATARINA. Lista das espécies da fauna ameaçada de extinção em Santa Catarina. 2010.

KÖPPEN, W. Das geographische System der Klimate. In: KÖPPEN, W.; GEIGER, R. (Eds.). Handbuch der Klimatologie. Berlin: Gebrüder Bornträger, 1936. Banda 1, Parte C, p. 1-44.

KUHNEN, V. V.; REMOR, J. O.; LIMA, R. E. M. Criação e comercialização de animais silvestres no Estado de Santa Catarina, Brasil. Brazilian Journal of Biology, v. 72, n. 1, p. 59-64, 2012.

MAGALHÃES, J. S. Tráfico de animais silvestres no Brasil. Monografia de conclusão de curso. Centro Universitário de Brasília, 2002.

MEDEIROS, R. A. Animais silvestres apreendidos pela 3ª Companhia de Polícia Militar Ambiental na região da AMUREL, no período de 1999–2012. Dissertação de Mestrado. Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma – SC, 2014.

NUNES, P. B.; BARRETO, A. S.; FRANCO, E. Z. Subsídios à ação fiscalizatória no combate ao tráfico de aves silvestres e exóticas em Santa Catarina. Ornithologia, v. 5, n. 1, p. 26-33, 2012.

PM SC. Polícia Militar de Santa Catarina. Disponível em: https://www.pm.sc.gov.br/ambiental. Acesso em: 10 set. 2022 às 15:00.

PREUSS, J. F.; SCHAEDLER, P. F. Diagnóstico da fauna silvestre apreendida e resgatada pela Polícia Militar Ambiental de São Miguel do Oeste, Santa Catarina, Brasil. Unoesc & Ciência, v. 2, n. 2, p. 141-150, 2011.

RENCTAS – REDE NACIONAL DE COMBATE AO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES. 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre. 2001.

RENCTAS – REDE NACIONAL DE COMBATE AO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES. Relatório Nacional sobre Gestão e Uso Sustentável da Fauna Silvestre. 2016.

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1997.

SILVA, I. B. Tráfico de animais silvestres no ordenamento jurídico brasileiro. Monografia de conclusão de curso de Direito. Centro Universitário Antônio Eufrásio de Toledo de Presidente Prudente, 2017.

SILVA VIEIRA, C.; TODESCHINI, C. Levantamento de dados de crimes contra animais no município de Tubarão/SC durante os anos de 2019 e 2020. Universidade do Sul de Santa Catarina, 2021.

SOS MATA ATLÂNTICA. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. São Paulo. Disponível em: http://mapas.sosma.org.br/site_media/download/atlas%20mata%20atlantica-relatorio2005-2008.pdf. Acesso em: 04 set. 2022 às 20:16.

SOUZA, T. O.; VILELA, D. A. R. Espécies ameaçadas de extinção vítimas do tráfico e criação ilegal de animais silvestres. Atualidades Ornitológicas, v. 176, p. 64-68, 2013.

SSP – SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DE SANTA CATARINA. Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social Santa Catarina 2018-2028. 2018.

VIANA, I. R.; ZOCCHE, J. J. Avifauna apreendida no extremo sul catarinense: apreensões feitas durante oito anos de fiscalização e combate à captura de aves silvestres. Revista Brasileira de Biociências, v. 11, n. 4, 2013.

WIKIAVES. A enciclopédia das aves do Brasil. Disponível em: https://www.wikiaves.com.br/.

ZAIDAN, R. T. Geoprocessamento, conceitos e definições. Revista de Geografia - PPGEO-UFJF, v. 7, n. 2, 2017.

Downloads

Publicado

01-11-2023

Como Citar

AMORIN, Rafael Rufino de; POLESE, Augusto César de Paula; ABILHOA , Vinícius. ROTAS DE TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES DO ESTADO DE SANTA CATARINA: UMA METANÁLISE DA CAPTURA AO ESCOAMENTO. Ciências Policiais em Revista, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 136–160, 2023. Disponível em: https://revista.acadepol.sc.gov.br/ciencias-policiais/article/view/39. Acesso em: 3 jun. 2026.